sexta-feira, 14 de maio de 2010

O Equilibrio do feminino e do masculino para o desenvolvimento humano.



A energia da natureza e dos seres humanos é composta dos elementos femininos e masculinos atuantes em nossa psiquê e em nossa biologia.

Todos nós nascemos da união de um homem com uma mulher e possuímos esses padrões genéticos, energéticos e psicológicos que são herdados, construídos e que vão sendo apreendidos na relação com os valores e com as distorções de nossa cultura. A perda das qualidades e da energia feminina na sociedade de hoje constitui um problema psicológico premente. Atinge dolorosamente a vida emocional de homens e mulheres.

Esta perda de algo tão essencial para mulher força-a a questionar sua própria feminilidade, consolidando o longo debate histórico acerca da posição das mulheres na sociedade. Para o homem, a perda da energia feminina é menos óbvia, porém reduz as profundezas emocionais de sua personalidade. E é fonte da maior parte do seu descontentamento, solidão, sensação de falta de sentido e mau humor. Há alguns milênios, vivemos sob o cunho de uma cultura patriarcal, moldada por e para os homens que garantem a sua soberania e poder.

Através da valorização da força bruta e da conquista de territórios, avançam econômica e tecnologicamente, e geram um grande desequilíbrio dentro e fora de nós. Esse modelo masculino tradicional, defasado diante da evolução das mulheres, é fonte de uma verdadeira mutilação da qual os homens começam a ter consciência. O velho homem está em vias de desaparecer para dar lugar a um outro, diferente, e do qual se percebe apenas o contorno.É somente ao aceitar e compreender a sua feminilidade que o homem entenderá com clareza sua natureza masculina.

Perder as qualidades femininas interiores afeta o nosso bem estar emocional e modifica imediatamente nossa felicidade.Podemos entender, então, que a feminilidade não é privilégio da mulher. É importante considerá-la como a influência sobre a identidade central da mulher e sobre a capacidade do homem de sentir e valorizar.

Segundo Joseph Campbell:“- O lado esquerdo, onde está o coração, é símbolo das virtudes e dos perigos femininos. Maternidade e sedução, os poderes da lua sobre as marés e substâncias do corpo, os ritmos das estações; gestação, nascimento, alimentação e criação dos filhos; encanto; beleza; êxtase; por outro lado igualmente malícia e vingança; irracionalidade; fúria; magia; venenos; feitiçaria”. O lado direito é símbolo do macho: ação, armas, feitos heróicos, proteção, força bruta, justiça cruel e complacente; as virtudes e perigos masculinos: egoísmo e agressão, raciocínio lúcido e luminoso, poder criativo, mas também a maldade fria e insensível; espiritualidade abstrata, coragem cega, dedicação à teoria e força moral”.

Nossas heróicas conquistas ocidentais causam inveja ao resto do mundo, porém, são ganhas à custa de nossa capacidade de calor, sentimento, contentamento e serenidade. Somos tão ricos em coisas materiais e tão pobres em valores femininos. Na Índia, existem paz e felicidade nos lugares mais inesperados. Em troca das modernas conquistas tecnológicas, essas pessoas conservaram seus valores femininos.

Nós, ocidentais, sabemos que há, no oriente, um ingrediente essencial do qual precisamos para curar a pobreza emocional de nossa cultura.No ocidente, reinam os valores masculinos. As atitudes ocidentais com relação à feminilidade são tão arraigadas que é muito difícil olhá-las objetivamente. Mas começamos a questionar a forma patriarcal da cultura ocidental. Já no oriente, a apreciação da feminilidade ocupa lugar infinitamente elevado no caráter do povo.O feminino pagou o preço com seu sofrimento, enquanto o masculino recebeu as glórias por suas conquistas.

Embora tenhamos começado a restabelecer o lugar da mulher no nosso mundo moderno, ainda não fizemos o suficiente para restaurar o sentir, a paz, o contentamento e a perspectiva. Se o feminino é responsável por tantas coisas importantes na existência humana, ele não pode ser perdido. E se foi, deve ser resgatado.

Com mais consciência, podemos apreciar e valorizar o que há de melhor no masculino e no feminino e buscar o equilíbrio de ambos, e não o balanço violento desse pêndulo que vai de um extremo a outro.Houve quem quisesse ver nessa dicotomia dos mundos masculinos e femininos a realização de um ideal de complementaridade dos sexos, a harmonia entre homem e mulher. Mas, em termos atuais, deveríamos falar sobre a igualdade na diferença. A desigualdade dos sexos seria invalidada, por serem eles incomparáveis.

Antonio Tigre é professor certificado de Iyengar Yoga. Formado em Licenciatura em Artes Cênicas na Universidade Federal UniRio e Administração de Empresas pela Universidade Cândido Mendes.

FONTE: EYOGA.COM.BR

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