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sábado, 19 de dezembro de 2009
5 técnicas de Meditação (que cabem na sua rotina)
Ao longo dos séculos, monges, padres, lamas e santos adotaram a meditação como caminho para encontrar Deus. Hoje, cada dia mais gente descobre nessa prática a chave para enfrentar o cotidiano com mais equilíbrio e vitalidade. Aqui, você conhece a origem das técnicas e descobre como começar agora mesmo!
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Se a água barrenta ficar quieta por muito tempo, o barro se depositará no fundo e a água se tornará clara. Na meditação, quando o barro de seus pensamentos inquietos começa a depositar-se, o poder de Deus começa a refletir-se nas águas claras de sua consciência." Essas palavras do mestre indiano Paramahansa Yogananda (1893-1952) contam a sensação de quem pára alguns minutos para meditar. Antes restrita aos religiosos, essa prática tem sido adotada por pessoas de todas as idades e estilos de vida, que buscam ter mais vigor e clareza e, além disso, encontram um caminho para a sensibilidade e a espiritualidade. A meditação pode ser feita em qualquer hora e lugar. Basicamente, ela faz com que a mente e o corpo fiquem em sintonia, conectados ao tempo presente. Essa integração aumenta a serenidade e reduz os níveis de estresse e desgastes emocionais desnecessários. "Meditar é cultivar estados da mente que levam à paz e ao bem-estar", diz a monja Kelsang Pälsang, diretora dos mosteiros budistas da tradição kadampa no Brasil. E não é preciso se ligar a uma religião para desfrutar de todos os benefícios da meditação. Há escolas de diversas linhas espalhadas pelo país abertas para iniciantes.
Hinduísmo
Essa tradição, que remonta a mais de 4 mil anos antes de Cristo, abriga tantas possibilidades de meditação quantos foram os mestres espirituais na Índia. No Brasil, uma opção para a prática é a Self-Realization Fellowship, que tem como objetivo "disseminar técnicas para atingir a experiência pessoal e direta de Deus e ensinar que o propósito da vida é a evolução, além de libertar o homem de seu tríplice sofrimento: a doença física, as desarmonias mentais e a ignorância espiritual", como define seu fundador, o iogue Paramahansa Yogananda. Jeane Capilli Pen, coordenadora da entidade em São Paulo, informa: "A Self tem diversos horários de meditações gratuitas, e o praticante inicialmente segue as instruções de um orientador". Outra opção é a Organização Brahma Kumaris, que trabalha com o desenvolvimento de valores espirituais em 86 países e tem cursos gratuitos de meditação raja ioga. "A raja ioga é a arte de viver em equilíbrio, ser feliz e pacífico", explica Luciana Ferraz, coordenadora nacional da entidade.
Meditação hinduísta
1. Sente-se em uma cadeira, com a coluna alinhada e pés bem apoiados no solo. Se preferir sentar no chão, fique com as pernas cruzadas, em posição de lótus.
2. Deixe a respiração bem tranqüila, os olhos abertos e pense: "Eu focalizo a atenção no que está acontecendo em meu mundo interior".
3. Perceba que muitos pensamentos passam pela mente e que você tem o poder de escolher os melhores e dispensar os ruins. Pense: "Eu escolho o pensamento de paz".
4. Visualize um ponto de luz no centro da testa, entre as sobrancelhas. Pense: "Sinto que sou um ser de luz e paz".
5. Preste atenção em como sua mente está calma e saboreie esse momento. Pense: "Deus também é um ponto de luz. Sinto a paz e o amor Dele chegando a mim. Absorvo essa paz e irradio-a para o mundo".
6. Fique alguns momentos apreciando a experiência e volte lentamente sua atenção para o que está a sua volta.
Onde praticar
Self-Realization Fellowship
R. Carlos Carvalho, 164, São Paulo.
email: srfsp@uol.com.br.
Organização Brahma Kumaris
R. Germaine Buchard, 589, tel. (11) 3864-3694, São Paulo.
Budismo
A partir da segunda metade do século 20, o budismo tornou-se a tradição oriental que mais cresceu nas Américas e na Europa. As escolas seguem os ensinamentos de Buda, que abandonou uma vida de riqueza para buscar a iluminação, há 2,5 mil anos. No Brasil, existem várias linhagens budistas com diferentes tipos de meditação. O Centro Dharma da Paz, fundado em São Paulo em 1988 pelo lama Gangchen Rimpoche, mestre do budismo tibetano, está hoje sob a orientação espiritual de seu discípulo lama Michel, brasileiro reconhecido como a reencarnação de um mestre do Tibete.
Lá é feita a meditação tântrica, "cuja essência é a identificação do praticante com seu potencial de iluminação, seu Buda interno, em todas as atividades da vida", diz Daniel Calmanowitz, diretor do centro. Ele explica: "As pessoas ainda não são seres iluminados, mas se identificam como tal quando se visualizam como a própria divindade. E os benefícios são deixar de lado a autocobrança e aumentar a autoa-aceitação". Há dez anos, chegou ao Brasil uma linha do budismo mahayana (que quer dizer "caminho da ajuda mútua"), da tradição kadampa. Fundada por Geshe Kelsang Gyatso, está presente em capitais e cidades do interior de São Paulo. A monja Kelsang Pälsang, diretora nacional dos centros, conta: "Os kadampas contemporâneos fazem uma meditação adaptada para pessoas modernas, que têm pouco tempo e muita pressa em aprender".
Meditação budista tibetana
1. Comece pensando: "Assim como eu quero ser feliz e evitar o sofrimento, os outros seres também querem a felicidade".
2. Lembre-se dos seres vivos a seu redor - família, amigos, animais. Todos querem ser felizes.
3. Surgirá uma forte sensação de que todos são iguais, querem a mesma coisa e são irmãos.
4. Quando essa sensação surgir, procure concentrar-se nela sem distrações. Quanto mais familiarizar a mente com essa idéia, mais calma e tranqüila ela se tornará.
Onde praticar
Centro Dharma da Paz
R. Aimberê, 2008, tel. (11) 3871-4827, São Paulo.
Centro Kadampa Mahabodhi
R. Mario Guastini, 192, tel. (11) 3812-7509, São Paulo.
Zen-budismo
O zen-budismo pertence à escola soto zen do budismo japonês, fundada no século 13. Chegou ao Brasil em 1956, trazida pelas comunidades japonesas, e hoje tem templos e mosteiros em vários Estados. A essência do zen é o estado de meditação em busca da não-dualidade. "Temos que ultrapassar os limites da mente, que considera o gosto/não gosto, amo/odeio, apego/aversão. Assim, chegamos ao ponto em que, unidos, vemos que somos a vida do Universo", ensina a monja Cohen, fundadora da Comunidade Zen-Budista, em São Paulo.
Além da compaixão, outra meta no zen é a iluminação. A mestra Shundo Rôshi ilustra a idéia no livro Para uma Pessoa Bonita (ed. Palas Athena). Ela conta que leu numa placa: "Faz barulho porque não está completo". Deliciada com o humor, pensou: "Faz sentido. Uma cabaça cheia até a boca não tem som se é sacudida, mas, se houver saquê no fundo, fará barulho. Os seres humanos são como as cabaças: a pessoa sábia é tranqüila em qualquer circunstância, como se nada a perturbasse".
Mas a calma do zen também é alerta. A mente desperta é um exercício de atenção aos pensamentos e à respiração. E o caminho é: persistência e paciência.
Há dois anos, a monja Cohen começou nos parques de São Paulo a "meditação andando". "Fomos mostrar que existe um comportamento voltado para a paz. Em vez de gritar com alguém, bater a porta, por exemplo, você pode caminhar quando está nervoso. Ficar em silêncio, entrar em contato consigo mesmo e achar uma solução de transformação verdadeira."
Meditação zen-budista
1. Em um local agradável, alinhe a coluna, firme os pés no chão e afaste ligeiramente as pernas, sem travar os joelhos.
2. Respire esvaziando bem o pulmão, soltando todo o ar pela boca várias vezes.
3. Depois, lentamente, caminhe com passos miúdos. Inspire e dê mais um passo (do tamanho da metade de seu pé). Expire e avance da mesma forma.
4. Sinta o chão sob os pés, a brisa no rosto, as áreas de luz e de sombra a seu redor.
5. Perceba que às vezes você pensa ou não pensa. Se se distrair, volte a prestar atenção.
6. Sinta que sua mente está em paz e, lentamente, volte a caminhar normalmente.
Onde praticar
Comunidade Zen-Budista
R. Arruda Alvim, 127B, tel. (11) 3062-8964, São Paulo.
Sua saúde agradece
Médicos têm indicado com freqüência a prática de diferentes técnicas de meditação para ajudar no tratamento e na prevenção de doenças do coração, câncer e distúrbios do sono. As práticas levam ao controle da respiração, que, por sua vez, diminui a pressão sangüínea, aumenta a circulação e desintoxica o organismo.
O cardiologista José Antônio Curiati, doutor pela Universidade de São Paulo (USP), fez um estudo com idosos cardíacos, na faixa etária de 76 anos. Eram 39 pacientes, divididos em dois grupos. Um praticava meditação durante meia hora, duas vezes ao dia. O outro grupo não. Conclusão do doutor Curiati: "Os que praticaram tiveram melhora na liberação dos hormônios que aliviam o estresse, na eficiência respiratória e na qualidade de vida em geral".
O Instituto do Sono de São Paulo atende 50 pacientes ao mês com queixa de insônia. A meditação é usada em 30% desses casos. "Já nas primeiras três semanas de prática, os efeitos positivos são registrados", afirma o neurologista Ademir Baptista da Silva, chefe do setor de distúrbio do sono do Hospital São Paulo, que trabalha há 15 anos com casos de insônia. A psicóloga da entidade, Eliane Aversa Lopes, que ensina a prática aos pacientes, diz: "A ansiedade é o que dificulta iniciar o sono. Então indicamos a meditação para baixá-la. Isso aumenta a chance de que o sono venha e seja reparador".
Meditação para dormir bem
1. Sente-se em um ambiente tranqüilo, com as luzes apagadas. Deite, feche os olhos e preste atenção em seu corpo.
2. Perceba cada ponto de tensão. Comece por cabeça, pescoço, ombros e vá descendo e relaxando ponto a ponto.
3. Observe o ritmo da respiração e vá fazendo com que ela aconteça na altura do abdômen e não no tórax. Isso melhora a oxigenação e libera emoções contidas. Relaxe, até dormir.
Recomendações:
Vá para o quarto apenas quando já estiver com sono. Faça esse exercício todas as noites, durante 15 minutos.
Instituto do Sono: r. Napoleão de Barros, 925, tel. (11) 5576-4139, São Paulo.
Cristianismo
Pouca gente sabe, mas há várias meditações cristãs. Fernando Altmayer, professor do departamento de teologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, conta: "A meditação cristã nasceu do mundo judaico, após uma releitura do movimento místico que veio de Moisés e Abraão. Depois, os padres do deserto, cerca de 300 anos após a vinda de Jesus Cristo, começaram a meditar sistematicamente."
Desde a tradição dos desertos da Síria e do Egito nos séculos 3 e 4, místicos como são Francisco de Assis (séculos 12 e 13), passando por santa Teresa D'Ávila e são João da Cruz (século 16) e chegando a Teilhard Chardin e Tomás Merton (século 20), exercitaram técnicas para meditar. O teólogo carioca Frei Betto lembra: "De modo geral, existem três linhas. Os beneditinos, que combinam oração com trabalho (ora et labora), os franciscanos e os dominicanos, cuja espiritualidade é baseada na identificação com os pobres, e uma terceira linha, a dos jesuítas, que centram a meditação nos episódios da vida de Jesus". Em qualquer meditação, o que vale é persistir.
Meditação cristã
1. Procure um lugar silencioso.
2. Faça uma leitura de um fato importante em sua vida do dia, do mês, do ano. Nesse balanço, procure se lembrar das pessoas e das crises.
3. Escolha e leia um trecho da Bíblia a cada dia.
4. Concentre-se em uma palavra ou frase, compreendendo o sentimento e o sentido profundo de cada mensagem.
5. A seguir, fique em frente a uma imagem bonita (paisagem ao ar livre ou diante de uma bela foto) para de novo prestar atenção no silêncio.
Informações
Cúria Metropolitana de São Paulo
Av. Higienópolis, 890, tel. (11) 3826-0133, São Paulo.
Texto: Marisa Marega
LOTUS - A POSTURA DA FLOR DA HARMONIA
Um dos asanas mais importantes da ioga, o padmasana tem como raiz a oriental flor de lótus, que nasce na lama, alcança a luz do Sol e desabrocha em todo seu esplendor.
A ioga buscou inspiração na delicada flor de lótus, originária do Oriente, para criar uma de suas posturas mais clássicas: o padmasana (em sânscrito, padma significa “lótus”, e asana, “posição”). É nessa pose, inclusive, que são representados Buda e os grandes mestres da humanidade.
Não foi apenas sua beleza que chamou a atenção dos gurus iogues há séculos. Apesar de ela flutuar na superfície da água, as raízes nascem na lama e é daí que se desenvolve. Por sua natureza dual, é considerada símbolo do caminho espiritual. “Apoiando-se no que há de mais impuro, a flor alcança a iluminação”, explica o professor de ioga Pedro Kupfer, do Instituto Dharma-Yogashala, de Florianópolis. “As pessoas que querem crescer espiritualmente também precisam transcender o lado escuro da vida e da condição humana para se desenvolver.”
E como esse asana pode iluminar o caminho do crescimento interno? “Quando se executa a posição de lótus, a coluna fica completamente ereta, propiciando a subida e a circulação da kundalini, a energia cósmica que está latente na base da coluna, ampliando o estado de consciência”, explica a professora de ioga Sundari Shakti, do Instituto Yaat de Cultura Indiana, de São Paulo.
Quem vê os praticantes sentados em lótus, com as pernas cruzadas e os pés sobre as coxas, não pode imaginar que esse simples gesto é capaz de criar um perfeito circuito energético dentro do organismo. “A postura forma uma espécie de câmara fechada de circulação de energia”, compara Kupfer. “Ela impede a dispersão do prana, que é aproveitado para beneficiar o corpo, as emoções e a mente.”
Não é por acaso que o padmasana é considerado a posição clássica de meditação. O alinhamento da coluna e a estabilidade que ela oferece ajudam a mente a se concentrar, evitando as oscilações e os devaneios tão comuns ao pensamento, diz Sundari Shakti. “Por dar muita estabilidade física, a posição de lótus ajuda a desenvolver uma atitude de ponderação e leva o praticante a encontrar seu eixo e equilíbrio”, acrescenta
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Do ponto de vista fisiológico, o asana é um santo remédio para aumentar a flexibilidade dos tornozelos, do quadril e dos joelhos. E ainda há mais: como as pernas ficam dobradas, a circulação se concentra no abdômen e, além de irrigar e estimular o funcionamento dos órgãos ali situados, aumenta a irrigação e a oxigenação do cérebro e do coração.
A posição é muito relaxante quando o praticante estiver acostumado. Até lá, é possível que sofra um pouco para colocar os pés sobre as coxas e se sentir confortável. A boa notícia é que, com treino, a musculatura começa a se soltar, facilitando a execução da postura. Se isso não acontecer, a saída é achar uma posição mais agradável. “Asana é sinônimo de firmeza e conforto. É assim que a ioga deve ser praticada, para garantir a integridade do corpo e uma sensação agradável ao praticante”, ensina Kupfer.
Para facilitar a execução do asana, ele pode ser realizado com graus crescentes de dificuldade. As mãos ficam sobre os joelhos ou ao longo do corpo. Confira.
Sukhasana: sente-se e cruze as pernas diante do corpo. Mantenha a coluna reta.
Ardha padmasana, ou meio lótus: sente-se com as pernas estendidas à frente. Flexione o joelho esquerdo e coloque o pé perto da parte interna da coxa direita. Em seguida, flexione a perna direita e coloque o pé sobre a coxa esquerda, até que o calcanhar fique na altura do umbigo.
Padmasana, ou lótus completo: sente-se no chão com as pernas estendidas à frente. Flexione o joelho direito e coloque o pé sobre a coxa esquerda. Faça o mesmo com a perna esquerda e tente manter os calcanhares próximos ao umbigo. Os homens devem colocar a perna direita por cima, e as mulheres, a esquerda.
Venerada do Egito à China como símbolo da pureza espiritual, a flor de lótus tem sido representada, desde tempos imemoráveis, ao lado de deuses, budas e mestres iluminados.
Para os chineses, a flor representa o passado, o presente e o futuro porque contém, ao mesmo tempo, o botão, a flor e o fruto. No Oriente, o lótus simboliza ainda os níveis de consciência que os homens podem alcançar e o florescimento do potencial humano. Os budas em meditação geralmente aparecem sentados sobre flores de lótus e a expansão da visão espiritual que alcançam é simbolizada pela flor completamente aberta. Um dos principais mantras sagrados do budismo, “Om Mani Padme Hum”, significa literalmente “Da lama nasce a flor de lótus”.
As escrituras indianas que relatam a criação do Universo descrevem o centro do lótus como o berço do mundo. Elas contam que, do umbigo de Vishnu, nasceu uma esplendorosa flor de lótus e, dela, teria brotado Brahma, o criador do Cosmo. Nas gravuras indianas, os deuses costumam aparecer em pé ou sentados sobre a flor, um indicativo de sua divindade.
Segundo o pesquisador francês Jean Chevalier, autor do livro Dicionário de Símbolos (ed. José Olympio), a flor de lótus simboliza também “a taça da vida, a alma, o coração e o amor. Pode ser contemplada como uma mandala e considerada como um centro místico”.
TEXTO: FANNY ZIGBAND,"Bons Fluídos" ed.Abril
Não foi apenas sua beleza que chamou a atenção dos gurus iogues há séculos. Apesar de ela flutuar na superfície da água, as raízes nascem na lama e é daí que se desenvolve. Por sua natureza dual, é considerada símbolo do caminho espiritual. “Apoiando-se no que há de mais impuro, a flor alcança a iluminação”, explica o professor de ioga Pedro Kupfer, do Instituto Dharma-Yogashala, de Florianópolis. “As pessoas que querem crescer espiritualmente também precisam transcender o lado escuro da vida e da condição humana para se desenvolver.”
E como esse asana pode iluminar o caminho do crescimento interno? “Quando se executa a posição de lótus, a coluna fica completamente ereta, propiciando a subida e a circulação da kundalini, a energia cósmica que está latente na base da coluna, ampliando o estado de consciência”, explica a professora de ioga Sundari Shakti, do Instituto Yaat de Cultura Indiana, de São Paulo.
Calma e harmonia
Não é por acaso que o padmasana é considerado a posição clássica de meditação. O alinhamento da coluna e a estabilidade que ela oferece ajudam a mente a se concentrar, evitando as oscilações e os devaneios tão comuns ao pensamento, diz Sundari Shakti. “Por dar muita estabilidade física, a posição de lótus ajuda a desenvolver uma atitude de ponderação e leva o praticante a encontrar seu eixo e equilíbrio”, acrescenta
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Saúde em alta
A posição é muito relaxante quando o praticante estiver acostumado. Até lá, é possível que sofra um pouco para colocar os pés sobre as coxas e se sentir confortável. A boa notícia é que, com treino, a musculatura começa a se soltar, facilitando a execução da postura. Se isso não acontecer, a saída é achar uma posição mais agradável. “Asana é sinônimo de firmeza e conforto. É assim que a ioga deve ser praticada, para garantir a integridade do corpo e uma sensação agradável ao praticante”, ensina Kupfer.
Uma postura, três versões
Jóia do Oriente
Para os chineses, a flor representa o passado, o presente e o futuro porque contém, ao mesmo tempo, o botão, a flor e o fruto. No Oriente, o lótus simboliza ainda os níveis de consciência que os homens podem alcançar e o florescimento do potencial humano. Os budas em meditação geralmente aparecem sentados sobre flores de lótus e a expansão da visão espiritual que alcançam é simbolizada pela flor completamente aberta. Um dos principais mantras sagrados do budismo, “Om Mani Padme Hum”, significa literalmente “Da lama nasce a flor de lótus”.
As escrituras indianas que relatam a criação do Universo descrevem o centro do lótus como o berço do mundo. Elas contam que, do umbigo de Vishnu, nasceu uma esplendorosa flor de lótus e, dela, teria brotado Brahma, o criador do Cosmo. Nas gravuras indianas, os deuses costumam aparecer em pé ou sentados sobre a flor, um indicativo de sua divindade.
Segundo o pesquisador francês Jean Chevalier, autor do livro Dicionário de Símbolos (ed. José Olympio), a flor de lótus simboliza também “a taça da vida, a alma, o coração e o amor. Pode ser contemplada como uma mandala e considerada como um centro místico”.
TEXTO: FANNY ZIGBAND,"Bons Fluídos" ed.Abril
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